Laboratório de Neurolingüística - LABONE

Instituto de Estudos da Linguagem - IEL/UNICAMP


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Centro de Convivência de Afásicos

 

Funcionando nas dependências do Laboratório de Neurolingüística (LABONE) desde 1998, o Centro de Convivência de Afásicos (CCA), que é um espaço de interação entre pessoas afásicas e não-afásicas (familiares, pesquisadores e terapeutas), foi criado num esforço conjunto do Departamento de Lingüística e do Departamento de Neurologia da Universidade Estadual de Campinas para fazer jus a uma reação conjunta contra a exclusão e o isolamento social sofridos pelas pessoas afásicas, seus familiares e amigos, e também para favorecer situações voltadas para usos e ações efetivas de linguagem e demais rotinas significativas da vida em sociedade. As pessoas afásicas que freqüentam o CCA são pacientes do Hospital de Clínicas da Unicamp, onde recebem toda a assistência clínica necessária.

Um dos objetivos do Centro é enfrentar e superar as inúmeras dificuldades que se apresentam àqueles que devido a uma lesão cerebral passam a conviver com diversas formas de alteração em sua linguagem oral ou escrita. Ligado ao Laboratório de Neurolingüística do Departamento de Lingüística, também tem se constituído num centro de pesquisa sobre vários fenômenos afásicos e demais temas neurolingüísticos.

Atualmente, constituem o Centro de Convivência de Afásicos dois grupos distintos — Grupo I e Grupo II — que desenvolvem suas atividades semanalmente.

                              

Grupo I                            Grupo II

 

As Afasias

 

«Em geral, a afasia é definida sumariamente como alteração de linguagem decorrente de lesão cerebral adquirida. 

Como essa alteração se manifesta e quais suas implicações para as pessoas afásicas? 

Não há quem não tenha vivido aquelas situações em que a palavra nos foge e ficamos com a sensação de que ela está na “ponta da língua”, em que falamos mais ou menos do que gostaríamos ou deveríamos fazer, em que simplesmente perdemos o fio da meada bem no meio de uma narrativa e ficamos a dar voltas intermináveis em torno do tema, em que não estamos seguros sobre determinada forma de pronunciar ou escrever uma palavra, em que não conseguimos por um motivo ou outro entender parcial ou completamente o que estão a nos dizer, em que a memória nos trai e não podemos mais repetir ou lembrar o que nos foi falado, em que nos flagramos ou somos flagrados trocando de forma inesperada uma palavra por outra, em que somos considerados lentos demais ou rápidos demais para falar, em que interpretamos de maneira inadequada o que nos dizem ou escrevem, em que nossa maneira de falar ou escrever sofre restrições culturais preconceituosas...Todas essas situações estão longe de serem consideradas desviantes ou patológicas e fazem parte do funcionamento normal da linguagem e das condutas humanas. Elas nos mostram de maneira contundente duas coisas importantes: que ninguém é um falante ideal e que a comunicação humana é mesmo cheia de percalços. De todo modo, interagir com os outros e com o mundo é mesmo a nossa melhor aventura existencial. Todos sabemos o lugar que a fala e a escrita ocupam em nossas muitas possibilidades de comunicação.

Imagine agora, leitor ou leitora, se neste instante você quisesse falar alguma coisa a alguém e não conseguisse fazê-lo a não ser com extrema dificuldade; do mesmo modo, imagine que tenha momentaneamente perdido a capacidade de realizar com a eficácia de antes várias atividades corriqueiras como preencher um cheque, falar ao telefone, ler um jornal, conversar com as pessoas ou mesmo compreender o que alguém está tentando lhe falar. Podendo comprometer essas e outras funções da linguagem falada e escrita, com as quais nos comunicamos o tempo todo com os outros, a afasia é uma alteração de linguagem que decorre de lesão cerebral e que pode de diversas maneiras afetar a vida prática de muitas pessoas.

A afasia pode e geralmente é acompanhada por alterações de outros processos cognitivos e sinais neurológicos, como a hemiplegia (paralisia de um dos lados do corpo), a apraxia (distúrbio da gestualidade), a agnosia (distúrbio do reconhecimento), a anosognosia (relacionada à falta de consciência do problema por parte do sujeito cérebro-lesado), dificuldades de deglutição (dificuldade para engolir a saliva e alimentos), etc. Não se trata de afasia a alteração de linguagem que se manifesta nas psicopatologias (como a esquizofrenia ou o autismo), nas deficiências mentais e auditivas ou nas demências, ou mesmo nas amnésias.

Após o episódio neurológico, a qualidade de vida do sujeito afásico será proporcional à intensidade do impacto da afasia sobre ele. Naturalmente, a maneira como se lida social e subjetivamente com a afasia condiciona, de certa forma, a sorte dos que com ela convivem. Qualquer que seja o cenário, ele acaba por influenciar fortemente o processo de recuperação da linguagem ou a possibilidade de adaptação ou reinserção sócio-ocupacional de sujeitos afásicos. Nesse caso, a afasia deixa de ser apenas uma questão de saúde, uma questão lingüística, uma questão cognitiva. A afasia torna-se uma questão social”.

 (Extraído de « Sobre as afasias e os afásicos – subsídios teóricos e práticos elaborados pelo Centro de Convivência de Afásicos ». Morato et al., 2002).

           MAIS INFORMAÇÕES SOBRE AS AFASIAS

1.O QUE PODE CAUSAR AS AFASIAS ?

2.PODEMOS PREVENIR AS AFASIAS ?

3.TODAS AS PESSOAS AFÁSICAS TÊM A MESMA DIFICULDADE PARA SE COMUNICAR?

4.HÁ TRATAMENTO PARA AS AFASIAS?

5.QUAIS SÃO OS IMPACTOS MAIS FREQÜENTES NA ATIVIDADE OCUPACIONAL E SOCIAL DO AFÁSICO?

6.O AFÁSICO PODE CONTINUAR A TRABALHAR ?

7.QUESTÕES RELATIVAS AOS DIREITOS DAS  PESSOAS AFÁSICAS.