Línguas e Instrumentos Lingüísticos n° 8


APRESENTAÇÃO


O PROBLEMA DO PARADOXO EM UMA SEMÂNTICA ARGUMENTATIVA

Marion Carel e Oswald Ducrot

AS PROPRIEDADES LINGÜÍSTICAS DO PARADOXO: PARADOXO E NEGAÇÃO
Marion Carel e Oswald Ducrot

MÁQUINAS FALANTES COMO INSTRUMENTOS LINGÜÍSTICOS: POR UM HUMANISMO ÉCLAIRÉ
Plínio Almeida Barbosa

PROCESSOS DE REFERENCIAÇÃO NO HIPERTEXTO
Antonio Carlos S. Xavier

CRÔNICAS E CONTROVÉRSIAS
PARA UMA HISTÓRIA DOS ESTUDOS SOBRE LINGUAGEM
Eduardo Guimarães

RESENHAS

QUINTILIANO GRAMÁTICO - O PAPEL DO MESTRE DE GRAMÁTICA NA INSTITUTIO ORATORIA, DE MARCO AURÉLIO PEREIRA
Cláudia T.G. de Lemos



APRESENTAÇÃO

    Nos textos que  compõem este número de Línguas e Instrumentos Lingüísticos, encontramos dois núcleos de interesse. De um lado, os artigos sobre argumentação de Ducrot e Carel; de outro lado, os textos sobre tecnologia e instrumentos lingüísticos, de Barbosa e Xavier.
    Com a publicação de “O Problema do Paradoxo em uma Semântica Argumentativa” e As Propriedades Lingüísticas do Paradoxo: Paradoxo e Negação”, coloca-se ao alcance do público leitor o estado atual da teoria da argumentação na língua que vem se desenvolvendo a partir dos trabalhos de Oswald Ducrot. No primeiro texto Carel e Ducrot, a partir de uma discussão do paradoxo como questão para a semântica lingüística, procuram demonstrar que o caráter argumentativo de um encadeamento é definido pela interdependência entre os segmentos envolvidos. Já no segundo texto os autores procuram caracterizar, pela análise da negação de palavras e encadeamentos paradoxais, a especificidades dos discursos paradoxais. No conjunto, estes dois textos dão conta de uma mudança importante que está sendo produzida no pensamento ducrotiano que, agora, abre mão da noção de topos peã introdução da de bloco semântico.
    Nos textos seguintes, entramos em contato com duas instrumentações lingüísticas. De um lado, Plínio Almeida  Barbosa apresentação aspectos da história da síntese de fala e de sua utilização como instrumento de pesquisa lingüística. Seu estudo percorre esta história desde o tempo das tentativas de reprodução de cabeças e andróides falantes, passando pela máquina falante do barão Von Kempelen, pelos sintetizadores elétricos até chegar aos primeiros sistemas de sínteses digitais. Com este percurso o autor defende a tese de que esta aventura de construir uma máquina falante se insere numa tradição humanista, exigindo uma tolerância entre ciências humanas e ciências naturais. De outra parte, Antonio Xavier, considerando os hiperlinks como instrumentos caracterizadores do hipertexto, estuda como o funcionamento daqueles ajuda no processo de referenciação no texto eletrônico. Segundo o autor, nos hipertextos encontramos um complexo processo de auto- e hetero-referenciação.
    Na seção Crônicas e Controvérsias, reproduz-se um teto inicialmente publicado em uma revista eletrônica de divulgação científica. “Para uma história dos estudos sobre linguagem” apresenta um percurso muito particular para reconstruir a história dos estudos da linguagem desde a Antigüidade. O texto apresenta, de modo sumário, um quadro que dá uma interpretação diferente das em gral encontradas nas histórias da lingüística, para o estado atual dos estudos lingüísticos.
    Ao final, vem a resenha da obra de Quintiliano Gramático – O Papel do Mestre de Gramática na Institutio Oratória, de Marcos Aurélio Pereira. Na sua apresentação, Cláudia Lemos ressalta o fato de que o autor da obra “situa Quintiliano no seu tempo, na história da gramática grega e romana, no que dessa gramática vem alimentar sua reflexão sobre a prática de formar oradores”. Ressalta ainda como a importância do retorno à Antigüidade Clássica se deve a que, de algum modo, este pensamento ainda sobrevive na nossa tradição gramatical.

Eduardo Guimarães.




O PROBLEMA DO PARADOXO EM UMA SEMÂNTICA ARGUMENTATIVA

Marion Carel e Oswald Ducrot
E.H.E.S.S.

RESUMO: Este é o primeiro da seqüência de dois textos de Carel e Ducrot aqui publicados, nos quais estes autores apresentam alguns conceitos de base da Samântica dos Blocos Argumentativos, proposta como uma nova versão da Teoria da Argumentação na Língua (ANL), de Anscombre e Ducrot. Neste primeiro texto, a partir de um discussão do paradoxo como questão os discursos em então e no esntanto para demosntrar a concepção segundo a qual o caráter argumentativo de um encadeamento é definido pela interdependência entre os seus dois segmentos. Esta nova proposta abre mão da noção de topos introduz os conceitos de bloco semântico, de aspecto normativo e transgressivo, de argumentação interna e externa, de ligação argumentativa estrutural e contextual e de encademento (enunciado, palavra) lingüisticamente doxais e paradoxais.



AS PROPRIEDADES LINGÜÍSTICAS DO PARADOXO: PARADOXO E NEGAÇÃO

Marion Carel e Oswald Ducrot

E.H.E.S.S.

RESUMO: Pela análise da negação de palavras e encademento paradoxais (tais como definidos no artigo precedente), Carel e Ducrot mostram, neste artigo, a especificidade dos discursos paradoxais. Em um primeiro momento, são introduzidas as noções de conversão e oposição, a de palavras paradoxais discursivas, e a de negação paradoxida. Em um segundo momento, são discutidas as propriedades formais da negação e realizados teste transformacionais com os conectivos se e mesmo se em encadementos interrogativos, confrontando a relação entre interrogação e negação de encadeamentos complexos com as expressões com certeza e apesar de.


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MÁQUINAS FALANTES COMO INSTRUMENTOS LINGÜÍSTICOS: POR UM HUMANISMO ÉCLAIRÉ

Plínio Almeida Barbosa

LAFAPE/IEL - Unicamp


RESUMO: Este trabalho apresenta aspectos-chave da história da Síntese de Fala e de sua utilização como instrumento de pesquisa lingüistica. Acompanhando o fascínio pela voz humana desde o tempo das tentativas de reprodução de cabeças e andróides falante, passando pela realização da máquina falante do barão von Kempelen e pelos primeiros sintetizadores elétricos e primeiros sistemas de síntese digitais, queremos defender a tese de que a aventura pluri-inter-transdisciplinar de construir uma máquina falante se insere na mais absoluta tradição humanista e exige um movimento de tolerância das ciências humanas em relação às ciências naturais e vice-versa.





PROCESSOS DE REFERENCIAÇÃO NO HIPERTEXTO

Antonio Carlos S. Xavier

RESUMO: Este artigo busca examinar o funcimento dos hiperlinks nos Hipertextos e discutir como eles ajudam a fazer o processo de referenciação semântica, cognitiva e internacional no texto eletrônico. Os hiperlinks são instrumentos caracterizadores do Hipertexto. Eles possibilitam o acontecimento de uma infinita e intricada rede de interconexão entre textos, informação e saberes em escala mundial. Além de funcionarem como elementos dêitico-vetoriais, os hiperliks levam os leitores para outras páginas virtuais e Hipertextos outros de maneira rápida, prática e econômica. Tais engenhocas digitais realizam um complexo processo de auto e hétero-referenciação: co e pan-hipertextual (intra e extra-texto eletrônico), permitindo a efetivação visual, e não apenas mental, de intertextualidade/interdiscursividade constitutiva da linguagem de maneira instantânea. Por essa razão, este artigo postula que os hiperliks apresentam aos leitores e navegadores uma forma digital de fazer referenciação muito mais dinâmica e desafiadora ao processo de leitura. Como isso acontece é o que será aqui mostrado.



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