Línguas e Instrumentos Lingüísticos n°
8
APRESENTAÇÃO
Nos textos que compõem este
número de Línguas e Instrumentos Lingüísticos, encontramos
dois núcleos de interesse. De um lado, os artigos sobre argumentação
de Ducrot e Carel; de outro lado, os textos sobre tecnologia e instrumentos
lingüísticos, de Barbosa e Xavier.
Com a publicação de “O Problema do Paradoxo
em uma Semântica Argumentativa” e As Propriedades Lingüísticas
do Paradoxo: Paradoxo e Negação”, coloca-se ao alcance do público
leitor o estado atual da teoria da argumentação na língua
que vem se desenvolvendo a partir dos trabalhos de Oswald Ducrot. No primeiro
texto Carel e Ducrot, a partir de uma discussão do paradoxo como questão
para a semântica lingüística, procuram demonstrar que o
caráter argumentativo de um encadeamento é definido pela interdependência
entre os segmentos envolvidos. Já no segundo texto os autores procuram
caracterizar, pela análise da negação de palavras e encadeamentos
paradoxais, a especificidades dos discursos paradoxais. No conjunto, estes
dois textos dão conta de uma mudança importante que está
sendo produzida no pensamento ducrotiano que, agora, abre mão da noção
de topos peã introdução da de bloco semântico.
Nos textos seguintes, entramos em contato com duas instrumentações
lingüísticas. De um lado, Plínio Almeida Barbosa
apresentação aspectos da história da síntese de
fala e de sua utilização como instrumento de pesquisa lingüística.
Seu estudo percorre esta história desde o tempo das tentativas de reprodução
de cabeças e andróides falantes, passando pela máquina
falante do barão Von Kempelen, pelos sintetizadores elétricos
até chegar aos primeiros sistemas de sínteses digitais. Com
este percurso o autor defende a tese de que esta aventura de construir uma
máquina falante se insere numa tradição humanista, exigindo
uma tolerância entre ciências humanas e ciências naturais.
De outra parte, Antonio Xavier, considerando os hiperlinks como instrumentos
caracterizadores do hipertexto, estuda como o funcionamento daqueles ajuda
no processo de referenciação no texto eletrônico. Segundo
o autor, nos hipertextos encontramos um complexo processo de auto- e hetero-referenciação.
Na seção Crônicas e Controvérsias,
reproduz-se um teto inicialmente publicado em uma revista eletrônica
de divulgação científica. “Para uma história dos
estudos sobre linguagem” apresenta um percurso muito particular para reconstruir
a história dos estudos da linguagem desde a Antigüidade. O texto
apresenta, de modo sumário, um quadro que dá uma interpretação
diferente das em gral encontradas nas histórias da lingüística,
para o estado atual dos estudos lingüísticos.
Ao final, vem a resenha da obra de Quintiliano Gramático
– O Papel do Mestre de Gramática na Institutio Oratória, de
Marcos Aurélio Pereira. Na sua apresentação, Cláudia
Lemos ressalta o fato de que o autor da obra “situa Quintiliano no seu tempo,
na história da gramática grega e romana, no que dessa gramática
vem alimentar sua reflexão sobre a prática de formar oradores”.
Ressalta ainda como a importância do retorno à Antigüidade
Clássica se deve a que, de algum modo, este pensamento ainda sobrevive
na nossa tradição gramatical.
Eduardo
Guimarães.
O PROBLEMA DO PARADOXO EM UMA SEMÂNTICA ARGUMENTATIVA
Marion Carel e Oswald Ducrot
E.H.E.S.S.
RESUMO:
Este é o primeiro da seqüência de dois textos de Carel e
Ducrot aqui publicados, nos quais estes autores apresentam alguns conceitos
de base da Samântica dos Blocos Argumentativos, proposta como uma nova
versão da Teoria da Argumentação na Língua (ANL),
de Anscombre e Ducrot. Neste primeiro texto, a partir de um discussão
do paradoxo como questão os discursos em então e no esntanto
para demosntrar a concepção segundo a qual o caráter
argumentativo de um encadeamento é definido pela interdependência
entre os seus dois segmentos. Esta nova proposta abre mão da noção
de topos introduz os conceitos de bloco semântico, de aspecto normativo
e transgressivo, de argumentação interna e externa, de ligação
argumentativa estrutural e contextual e de encademento (enunciado, palavra)
lingüisticamente doxais e paradoxais.
AS PROPRIEDADES LINGÜÍSTICAS DO PARADOXO: PARADOXO E NEGAÇÃO
Marion Carel e Oswald Ducrot
E.H.E.S.S.
RESUMO: Pela
análise da negação de palavras e encademento paradoxais
(tais como definidos no artigo precedente), Carel e Ducrot mostram, neste
artigo, a especificidade dos discursos paradoxais. Em um primeiro momento,
são introduzidas as noções de conversão e oposição,
a de palavras paradoxais discursivas, e a de negação paradoxida.
Em um segundo momento, são discutidas as propriedades formais da
negação e realizados teste transformacionais com os conectivos
se e mesmo se em encadementos interrogativos, confrontando a relação
entre interrogação e negação de encadeamentos
complexos com as expressões com certeza e apesar de.
topo
MÁQUINAS FALANTES COMO INSTRUMENTOS LINGÜÍSTICOS:
POR UM HUMANISMO ÉCLAIRÉ
Plínio Almeida Barbosa
LAFAPE/IEL -
Unicamp
RESUMO: Este trabalho apresenta aspectos-chave da história da Síntese
de Fala e de sua utilização como instrumento de pesquisa lingüistica.
Acompanhando o fascínio pela voz humana desde o tempo das tentativas
de reprodução de cabeças e andróides falante,
passando pela realização da máquina falante do barão
von Kempelen e pelos primeiros sintetizadores elétricos e primeiros
sistemas de síntese digitais, queremos defender a tese de que a aventura
pluri-inter-transdisciplinar de construir uma máquina falante se insere
na mais absoluta tradição humanista e exige um movimento de
tolerância das ciências humanas em relação às
ciências naturais e vice-versa.
PROCESSOS
DE REFERENCIAÇÃO NO HIPERTEXTO
Antonio Carlos S. Xavier
RESUMO:
Este artigo busca examinar o funcimento dos hiperlinks nos Hipertextos e discutir
como eles ajudam a fazer o processo de referenciação semântica,
cognitiva e internacional no texto eletrônico. Os hiperlinks são
instrumentos caracterizadores do Hipertexto. Eles possibilitam o acontecimento
de uma infinita e intricada rede de interconexão entre textos, informação
e saberes em escala mundial. Além de funcionarem como elementos dêitico-vetoriais,
os hiperliks levam os leitores para outras páginas virtuais e Hipertextos
outros de maneira rápida, prática e econômica. Tais engenhocas
digitais realizam um complexo processo de auto e hétero-referenciação:
co e pan-hipertextual (intra e extra-texto eletrônico), permitindo a
efetivação visual, e não apenas mental, de intertextualidade/interdiscursividade
constitutiva da linguagem de maneira instantânea. Por essa razão,
este artigo postula que os hiperliks apresentam aos leitores e navegadores
uma forma digital de fazer referenciação muito mais dinâmica
e desafiadora ao processo de leitura. Como isso acontece é o que será
aqui mostrado.
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