Introdução
O Brasil possui um riquíssimo patrimônio no campo da cultura popular, singular pela sua pluralidade, gerada pelo hibridismo etnográfico, racial, social e religioso desde a sua formação.
Esses bens culturais de natureza imaterial sobrevivem graças à força e a resistência dos grupos sociais que lutam para preservar a sua identidade cultural, através da prática de costumes e cultos de suas crenças e valores.
Essa resistência sobreviveu à evolução industrial, resiste ao processo de globalização e ao poder com que atua a indústria cultural nos meios de comunicação de massa, levando a população ao consumo de modismos pueris e de uma uniformidade lastimável.
A cultura popular, entretanto, alheia a esses interesses e mecanismos consegue manter com integridade seus valores, merecendo das instituições ligadas à cultura uma atenção muito especial e necessária.
O Projeto Folclore desenvolvido na UNICAMP desde 1992, atento a esses fatores, fundamentou-se na pesquisa, registro e promoção da cultura popular, abordando-a em toda sua extensão e complexidade nos campos das idéias, das crenças, costumes, artes, linguagem, moral e direito, reconhecendo e promovendo as formas legítimas de sentir, pensar e agir do nosso povo, colaborando na preservação do nosso patrimônio e na autovalorização dos grupos sociais que a praticam.
Ao longo desses anos o Projeto Folclore vem cumprindo com êxito suas funções, formando parcerias com órgãos e instituições ligadas à salvaguarda do folclore, fomentando diálogos entre a universidade e a comunidade, que juntas vivenciam com os grupos populares suas formas de festejar a vida e celebrar o sagrado.
O Projeto Folclore na sua amplitude atinge público de todas as idades, escolaridades, gêneros e religiões dos diversos segmentos sociais, sendo oferecido gratuitamente à comunidade em módulos de formatos variados.
Espaço Cultural Casa do Lago/UNICAMP
Pró-Reitoria de Extensão.
Idealização e Coordenação Geral
Avelino Bezerra
"8º ENCONTRO COM O FOLCLORE/CULTURA POPULAR"
Curso, Festa, Exposições e Mostra de Vídeos
Data: de 18 a 22 de Agosto de 2003
Local: Espaço Cultural Casa do Lago/UNICAMP
Rua Érico Veríssimo, s/nº Campus UNICAMP
Horários: conforme cronograma das atividades
PROGRAMAÇÃO
Curso Introdução ao Folclore/Cultura Popular
Apresentações de grupos folclóricos
Data: de 18 a 22 de Agosto de 2003
Horário: das 18:00 as 21:00 horas
Exposição
Data: de 18 a 22 de Agosto de 2003
Horário: das 12:00 as 21:00 horas
Mostra de curtas e filmes .
Data: de 18 a 22 de Agosto de 2003
Horário: 12:30, 16:00 e 18:30 horas
"8º ENCONTRO COM O FOLCLORE/CULTURA POPULAR"
CURSO - CRONOGRAMA DE ATIVIDADES
Dia 18/08
18:00 horas “Historia da Musica Caipira”
Prof. Ivan Vilela
20:00 horas Abertura Oficial
Ivan Vilela e Orquestra filarmônica de Viola
Dia 19/08
18:00 horas Apresentação da Congada de Atibaia
20:00 Horas “Cultura Popular - Conceito e Pesquisa”
Prof. Dr. Antonio Augusto Arantes
Dia 20/08
18:00 horas Coral ILÊ ASÉ OBÁ ADÁKÉDÁJÓ OMIM ALADÔ
18:30 horas Bate Papo com o Babalorisá Moacyr de Sangò
19:30 horas Encenação de uma Saída de Sãngo
Dia 21/08
18:00 horas Folia de Reis de Campinas
Aula - O jeca de Lobato: uma discussão das práticas culturais do caboclo brasileiro.
Profa. Dra. Margareth Brandini Park
19:30 horas Fandango de Tamanco de Ribeirão Grande
Aula “Cultura Popular, o caipira em sons e versos”
Prof. Dr. José Roberto Zan
Dia 22/08
18:00 horas Caiapó de São José do Rio Pardo
19:00 horas “aula”
MEMÓRIA, FOLCLORE E PODER.
Profa. Dra. Olga Von Simson
Realização:
Espaço Cultural Casa do Lago/PREAC/UNICAMP
Rua Érico Veríssimo, s/nº Campus UNICAMP – Tel. 3788 7017
Idealização e Coordenação Geral
Avelino Bezerra
RELEASE DOS GRUPOS
FOLIA DE REIS – Campinas/SP
Campinas
Grupos que se apresentam no ciclo natalino, rememorando a viagem dos três reis do oriente a Belém. Visitam casas de amigos e devotos onde cantam passagens religiosas. Auto denominados foliões, os componentes se organizam numa hierarquia composta pelo mestre, contramestre, bandeireiro, músicos e cantores. Há ainda os palhaços mascarados que representam a parte profana deste ritual religioso.
CONGADA DE ATIBAIA/SP
Na região bragantina os termos de Congo, com seus capitães, marujos, Congos e instrumentistas revezam‑se nas festas religiosas seguindo com seus bailados pelas ruas da Cidade, ora acompanhando penitentes, ora as procissões, principalmente as que se realizam nas festas de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário.
Os Congos cantam e dançam um importante legado das tradições afro‑brasileiras, praticamente em todo o Brasil, com variações locais. Os praticantes reconhecem nelas dois movimentos distintos, as cantigas e a embaixada: o primeiro representando um cortejo de coroação e o segundo o que se pode considerar propriamente a dança dramática. O tema básico é a luta do bem (Reis do Congo) contra o mal (Rainha Ginga, que participa do entrecho através do seu Embaixador). Segundo Mário de Andrade, “o mais inesperado e comovente é que o assunto essencial dos Congos tem todas as probabilidades de se referir a um fato histórico passado na África”. Organizados em dois grupos ou cordões, o dos Reis e do Embaixador, os participantes desenvolvem esse embate, articulando cantos e danças tradicionais.
CAIAPÓS, São José do Rio Pardo/SP.
Esta dança de homens tem dois personagens principais: o cacique (ou pajé) e o curumim. Ela dramatiza a pajelança pela qual o menino índio é perseguido e morto pelos brancos, ressuscitado pelas danças e defumação realizadas por seu grupo. Noutra variante, o curumim é substituído pela bugrinha. Esta dança é executada em várias localidades do Estado.
FANDANGO DE TAMANCO, Ribeirão Grande, SP
O termo Fandango designa uma série de danças populares que são realizadas no encerramento de mutirões, em festas e outras ocasiões em todo o Brasil.
Os seus palmeados e sapateados reafirmam a sua origem espanhola. Essa modalidade de fandango é dançada só por homens, que utilizam tamancos de madeira. Uma outra versão acontece em Capela do Alto, interior de São Paulo, onde os dançarinos utilizam “esporas”.
Release:
“8º ENCONTRO COM O FOLCLORE/CULTURA POPULAR”
O Espaço Cultural Casa do Lago, estará realizando no período de 18 a 22 de agosto de 2003 o “8° Encontro com o Folclore / Cultura Popular”.
O evento oferecerá gratuitamente a toda comunidade, Mostra de Filmes e documentários que revelam a religiosidade, a arte e os costumes do povo brasileiro, apresentações artísticas do músico Ivan Vilela e Orquestra de Violas, Folia de Santo Reis de Campinas, Fandango de Tamanco de Ribeirão Grande, Caiapó de São José do Rio Pardo, além de exposição fotográficas do seu acervo e curso para educadores.
O curso aborda as atuais reflexões acadêmicas sobra a Cultura Popular e serão ministrados pelos professores: Prof. Dr. Antonio Augusto Arantes, Professor Ivan Vilela, Profa. Dra. Olga Von Sinsom, Profa. Dra. Margareth Brandini Park, Prof. Dr. José Roberto Zan, o Babalorisá Moacyr de Sangò, e Avelino Bezerra Coordenador do projeto.
Na programação do cinema teremos os documentários sobre a Festa do Divino de Alcântara, Na Rota dos Orixás, Aruanda, Janela para os pireneus, Arturos olhos do Rosário, Boi do Maranhão. Festa do Divino de São João Del Rei, Boi bumbá de Parintins, e os filmes: Marvada Carne, O pagador de promessa, O Auto da Compadecida, Macunaíma, Central do Brasil. Com sessões a partir das 12:00.
“8º ENCONTRO COM O FOLCLORE/CULTURA POPULAR”
Resumos do curso de introdução ao folclore
Titulo: O jeca de Lobato:uma discussão das práticas culturais do caboclo brasileiro.
Ementa: São três os momentos do Jeca Tatu: em 1914,no artigo "Velha Praga", o caboclo vazio, adepto das queimadas.Em 1920, no texto "Jeca Tatu e a ressurreição", o caboclo com possibilidades de cura via medicalização/instrução. E, posteriormente,em 1947 com o "Zé Brasil, um Jeca atualizado, discutindo as idéias de Carlos Preste
hs, pelo qual o autor manifesta simpatia, onde o latifúndio será apresentado como o mal maior, denunciado através do fazendeiro, coronel Tatuíra, que nada planta.
O presente curso tem por objetivo principal explicitar os processos de criação da personagem visando uma resignificação das práticas culturais do caboclo brasileiro que sobrevive no imaginário nacional como retrato de um habitante indolente e preguiçoso, teimoso em impedir o progresso.
Bibliografia: As discussões terão como base o livro: Histórias e leituras de almanaques no Brasil, autora Margareth Brandini Park, ed. Mercado de Letras/ALB/FAPESP.Ano1999
Prof. Dr. José Roberto Zan
Título: Cultura popular: o caipira em sons e versos.
Ementa: fazer uma breve análise da cultura caipira e suas transformações a partir da música popular. Identificada como um dos principais elementos articuladores da ritualística presente na cultura do pequeno sitiante do centro-sul do país, a música caipira vai para o disco no final dos anos 20. Apropriada pela indústria fonográfica e veiculada por meios de comunicação de massa como o rádio e a televisão, a música caipira (ou sertaneja) traduz, de certo modo, a multiplicidade de sentidos atribuídos àquele tipo humano brasileiro e a suas práticas culturais ao longo do século XX. Através da audição de canções do repertório sertanejo, pretende-se analisar alguns desses processos com base em conceitos como os de cultura popular, memória, tradição, identidade cultural, cultura de massa e indústria cultural.
“8º ENCONTRO COM O FOLCLORE/CULTURA POPULAR”
Resumos do curso de introdução ao folclore
Profa. Dra. Olga Von Simson
MEMÓRIA, FOLCLORE E PODER.
Pretendo na minha palestra discutir o conceito de memória e as
abordagens da sociologia de da história sobre o tema. Mostrarei que
MEMÓRIA É PODER na nossa sociedade do esquecimento e que as classes populares
geralmente não tem acesso aos suportes adequados para registrar e divulgar suas
memórias. Mas, mesmo alijadas da memória oficia que privilegia os grupos que
datem o poder econômico e político, as classes populares não se curvam a essa
dominação e desenvolvem estratégias para perenizar e divulgar os aspectos
importantes de seu passado de luta e resistência. O folclore seria então uma dessas estratégias
privilegiada para conquistar e assegurar o registro e a disseminação da memória
do povo.
Exemplificarei com pesquisas de campo que demonstram essas ambigüidades entre
memória, cultura popular e poder na nossa sociedade.