Novas Políticas de Patrimônio: "Referências Culturais e Patrimônio Imaterial"

Dia 11 de agosto
Local : Auditório do Instituto de Artes - Unicamp
Horário: das 14:30h às 17:00h

As ações oficiais que visavam a preservação do patrimônio cultural, desde o princípio, privilegiaram os suportes materiais das significações socialmente consagradas. As edificações, os traçados urbanos, as obras de arte, os documentos arqueológicos e objetos associados a personagens e acontecimentos históricos estiveram no foco dessas preocupações, estabelecendo-se, desde logo, a distinção entre os bens móveis e os imóveis. No Brasil, deu-se um importante passo para a ampliação desse foco, aproximando-nos, finalmente, do universo que constitui as referências de identidade historicamente produzidas: a criação do Registro do Patrimônio Imaterial, instrumento jurídico que permite o acautelamento de bens imaterias que tenham significação diferenciada para as culturas locais, regionais e nacional. A possibilidade de recobrir, com as políticas de patrimônio, tanto os bens materiais – móveis ou imóveis – quanto os imateriais abre uma grande via em direção à recuperação da totalidade formadora do patrimônio cultural, no sentido mais amplo do termo.

Enquanto significados indissociáveis de seus suportes materiais, as referências são, certamente, edificações e paisagens naturais, mas são também as artes, os ofícios, as formas de expressão e os modos de fazer.

São as festas e os lugares a que a memória e a vida social atribuem sentido diferenciado: são aquelas onsideradas as mais belas, as mais lembradas e as mais queridas. São fatos, atividades e objetos que mobilizam a gente mais próxima e que reaproximam os que estão longe, fazendo reviver o sentimento de participar e de pertencer a um grupo, de possuir um lugar reconhecível no panorama físico e social. Em suma. referências são objetos, práticas, saberes e lugares apropriados pela cultura na construção de sentidos de identidade. São, enfim, o que se considera como raiz de uma cultura.

Mediador:
Prof. Dr. Antonio Augusto Arantes
Professor de antropologia na UNICAMP e consultor de políticas culturais. Autor de O QUE É CULTURA POPULAR (Coleção Primeiros Passos) CIDADANIA, volume temático da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, PAISAGENS PAULISTANAS: transformações do espaço público e O ESPAÇO DA DIFERENÇA, além de outros livros e artigos sobre cultura e política.

Participantes:
Maria Cecília Londres - Assessora do Ministério da Cultura, Secretaria de Artes Plásticas, Patrimônio e Museus
Célia Corsino - Diretora do Departamento de Identificação e Documentação, Instituto do Patrimônio histórico e Artístico Nacional - IPHAN
Leticia Costa Rodrigues Vianna - Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular - FUNARTE
Eliomar Mazocco – Presidente da Comissão Espírito Santense de Folclore