11º Encontro com o Folclore / Cultura Popular

De 21 a 25 de agosto de 2006

Curso de Introdução ao Folclore

Programação:

Dia 21 de agosto 2006

Abertura Oficial

Mestres de cerimônia

Prof. Dra. Regina Muller
Instituto de Artes - Unicamp

José Avelino Bezerra
Coordenador do Projeto Folclore
Diretor do Espaço Cultural Casa do Lago

Profa. Dra. Maria Irma Hadler Coudry – CDC; Prof. Dr.José Roberto Zan – IA; Prof. Dr.Mohamed Habib - Pró Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários; Prof. Dr. Eduardo Roberto Junqueira Guimarães - Assessor Especial do Gabinete do Reitor.

Alunos do “11° Encontro com o Folclore / Cultura Popular”

Ivan Vilela

Palestra “A via da cultura

Ivan Vilela é graduado e mestre em Composição Musical pela Unicamp. Atuando como arranjador e instrumentista, Ivan Vilela tem deixado a marca de sua viola em discos de artistas importantes da MPB como Ivan Lins e Paulo Padilha. Atualmente é professor universitário sendo responsável pela cadeira de Viola Caipira, na faculdade de Música da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto.

Orquestra Filarmônica de Viola Caipira de Campinas.

A Orquestra Filarmônica de Viola Caipira de Campinas concretiza o sonho de todas as pessoas que saíram do interior e vieram para os grandes centros: viver numa cidade grande sem perder suas raízes, sem esquecer seus sonhos. Sob a regência do músico Ivan Vilela, este sonho tomou forma, agregou pessoas das mais diferentes classes sociais e culturais e concretizou-se em um trabalho de pesquisa musical rico e único. Em atividade desde agosto de 2001, a Orquestra de Viola Caipira conta em média com 20 violeiros afinados com a essência da música caipira autêntica.  No início de 2005 foi lançado o primeiro CD pelo selo Zabumba. O trabalho, que leva o nome da Orquestra, traz 14 faixas com os maiores clássicos da autêntica música sertaneja. Os arranjos, todos elaborados tendo como base apenas a viola caipira, são o principal diferencial deste trabalho, tornando-o único em todo o País.

Dia 22 de Agosto de 2006.

Escritor e sociólogo,  Dr. Renato Ortiz - IFCH-UNICAMP.

Bate Papo sobre cultura Popular.

Apresentação - JONGO DITO RIBEIRO

JONGO DITO RIBEIRO

Grupo de Jongo de Campinas

Trazido de Minas Gerais para a cidade de Campinas em 1932, pelas mãos do festeiro Benedito Ribeiro. O ritmo do jongo, originário da região africana do Congo é preservado ate hoje pela comunidade.

Dia 23 de Agosto de 2006.

Angela Savastano

 “Folclore: Conceito e Pesquisa”.

Licenciatura e Bacharelado em Ciências Sociais.

Licenciatura em Artes Plásticas e Desenho.

A Cultura Musical dos Terreiros

A Cultura Musical dos Terreiros

Jansen Grininger

Maestro, Compositor e Pesquisador e

Wilian Oliveira - Obashanan (Yan Kaô)

Músico profissional percussionista e produtor musical.

Os cantos e toques sagrados que compõe o cerimonial litúrgico dos Terreiros de Umbanda e Candomblé, as chamadas religiões de matrizes africanas ou Afro-brasileiras, apresentam uma música que é fiel depositária da forma mais contundentemente desenvolvida e criada pelo espírito musical brasileiro: o ritmo. Consagrada nos Terreiros espalhados pelo Brasil ela traz consigo traços técnicos e artísticos que manifestam uma riqueza rítmica e melódica únicas, traduzindo as variadas influências étnicas formadoras da nossa música. Pode-se dizer seguramente que a música dos Terreiros está no cerne de muitas das nossas tradições musicais populares.

É o Povo de Terreiro que toca esta música e seus executores são filhos consagrados chamados de “Alabês” ou “Ogans” e são eles que conduzem, reproduzem e criam a cultura musical dos Congás, Ilês e Pejis (altares).

Dia 23 de Agosto de 2006

Olga Von Sinsom – CMU UNICAMP

“MEMÓRIA, CULTURA POPULAR E IDENTIDADE”.

Marcelo Pires de Oliveira

”O GALINHO DO CÉU E A TRANSMISSÃO DE SABERES DA TRADIÇÃO DOS FIGUREIROS DE TAUBATÉ”.

Claudete de Souza

”MEMÓRIA ORAL, RESISTENCIA CULTURAL E BATUQUE DE UMBIGADA”.

Eduardo C. de Souza

”RODA DE SAMBA, MEMÓRIA E EDUCAÇÃO NÃO-FORMAL”.

Apresentação conjunta da turma do Centro de Memória da UNICAMP “MEMÓRIA, CULTURA POPULAR E IDENTIDADE”.  Ela constará de uma fala de abertura da Professora Doutora Olga Von Sinsom mostrando como o CMU trabalha a memória, ligada à arte e à cultura e apontando a riqueza da metodologia da História Oral para esse tipo de investigação na área das Ciências Humanas.

Em seguida seu orientando de Doutorado Marcelo Pires de Oliveira apresentará sua pesquisa sobre o tema: ”O GALINHO DO CÉU E A TRANSMISSÃO DE SABERES DA TRADIÇÃO DOS FIGUREIROS DE TAUBATÉ.”,  mostrando a riqueza do Vale do Paraíba, formada pelo capital cultural acumulado das várias populações que ocuparam essa região, ao longo de sua história.

Do Vale do Paraíba nos deslocaremos para a região do Vale Médio do Tietê, especialmente as cidades de Capivari, Tietê e Piracicaba através da pesquisa de doutorado de outra orientanda, Claudete de Souza, sobre o tema: ”MEMÓRIA ORAL, RESISTENCIA CULTURAL E BATUQUE DE UMBIGADA.” que nos mostra como um estigma, como a denominação pejorativa de Vila África para um bairro com maioria de população afro-brasileira de Piracicaba,  pode se transformar numa forte base identitária, desde que compreendidas e valorizadas as ricas raízes étnicas e culturais, pelos próprios habitantes da região.

A terceira parte da discussão se dará com a apresentação da pesquisa de Mestrado de Eduardo C. de Souza focalizando os novos grupos de samba, surgidos mais recentemente em São Paulo, que se intitula: ”RODA DE SAMBA, MEMÓRIA E EDUCAÇÃO NÃO-FORMAL” Nela ele nos mostra como o povo da periferia da grande metrópole  retoma a memória do samba, como raiz de uma identidade cultural possível e a divulga entre os integrantes desses grupos espontâneos, via estratégias da educação não-formal.

Fecharemos as discussões mostrando como nós, os paulistas, podemos ser ao mesmo tempo caipiras e citadinos, encontrando nossa identidade na pluralidade cultural que caracteriza a população do nosso estado e apostando no respeito e valorização das diferenças, que constituem a nossa grande riqueza, e permitem a  busca de uma sociedade mais justa.  

Dia 23 de Agosto de 2006

Encerramento e Confraternização

Apresentação do grupo

CIA CARROÇA DE MAMULENGOS

CIA CARROÇA DE MAMULENGOS

Esta companhia de teatro muito particular é formada pela família Gomide – pai, mãe e oito filhos – que faz teatro popular pelas ruas, praças e escolas do Brasil, tendo as canções, folguedos e histórias de nossa gente como base de seu trabalho.

São artistas mambembes que vivem exclusivamente de e para sua arte. Seus espetáculos refletem sua vida e as fontes em que beberam. São brincadeiras que resgatam ritmos, melodias das estradas, das feiras e romarias, são cantigas de ninar e de circo que encantam nossos corações urbanos. É a celebração da dignidade do que é simples. Uma família unida – coisa tão rara! – reunida para brincar. São bonecos gigantes, palhaços com perna de pau, mágicas que nos devolvem à lembrança um Brasil alegre e divertido de Mãe Preta e Pai João.

 

CIA CARROÇA DE MAMULENGOS


Tendo em seu currículo participações em shows de Chico César e Naná Vasconcelos, a Cia. Carroça de Mamulengos existe há mais de vinte anos e encara como missão a necessidade de levar por toda parte o que recolhe em suas andanças: a música e a poesia do artista popular.

Programação de Cinema

MULHERES QUE TOCAM TAMBORES

A presença das caixeiras nas

Festas do Divino do Maranhão

Deixa-me cantar bem alto, ô bela

Pra chamar as companheiras

Sem elas não se faz festa, ô bela

Quem faz festa é Caixeira

(Ô Bela! Casa Fanti Ashanti – São Luís).

MULHERES QUE TOCAM TAMBORES

São mulheres simples. Em sua maioria, têm mais de 40 anos. Cantam, tocam caixas, pagam as suas promessas e as de outros.  Estão presentes nas festas do Divino Espírito Santo, no Maranhão, onde a tradição familiar começou com suas bisavós, avós, passou de mãe para filha. E assim continua. Elas seguem com o Divino, “andando de pés” como dizem, por caminhos sem fins. Uma trajetória de louvor e dedicação agora registrada no documentário e livro “Umas Mulheres que dão no Couro – As Caixeiras do Divino do Maranhão”, da historiadora e percussionista, Marise Glória Barbosa.

Patrocinado pela Petrobrás, o projeto tem como referência a dissertação de mestrado apresentado pela historiadora da PUC, de São Paulo, em 2002. Motivada pelo interesse em conhecer a presença das mulheres que tocam tambores em rituais religiosos, Marise aprofundou seus estudos, reuniu equipe e saiu nos passos das caixeiras para compor suas jornadas. Foram mais de nove meses de trabalho, percorrendo 16 municípios do Estado do Maranhão. Entre entrevistas, registros de imagens – mais de 100 horas documentadas – cantos e versos, o encontro com várias gerações de mulheres, procuradas para traduzir um ritual que permanece forte e que não perde sua delicadeza e forma de louvar aos santos para todo o sempre.

 

MULHERES QUE TOCAM TAMBORES

Trabalho de fôlego, um registro notável.

Dirigido pela própria historiadora, o documentário possui 1h40min de duração e foi gravado em formato Mini DV(digital). O vídeo traz imagens de caixeiras e de festas realizadas em São Luís e em regiões dos municípios de Itapecuru Mirim, São José de Ribamar, Alcântara, Humberto de Campos, Penalva e São Simão. Na Capital maranhense, Marise Glória Barbosa visitou casas de culto afro que realizam a festa, como o Terreiro das Pontas Verdes, Casa de Dona Nilza, Casa das Minas, terreiro da Fé em Deus Casa de Nagô e Casa Fanti-Ashanti, entre outros locais.

A linguagem escolhida para o documentário privilegia as caixeiras como portadoras do conhecimento sobre o assunto. São elas as especialistas. “As caixeiras são sacerdotisas, porque conduzem o ritual cantando e tocando os tambores possuem a compreensão das simbologias associadas ao Divino Espírito Santo”, completa Marise.

Vale ressaltar que os trechos dos cantos das caixeiras são legendados. O DVD possui ainda uma versão com legendas em inglês. O conjunto dos trabalhos (livro e DVD) será doado para bibliotecas, universidades e centros de pesquisa que trabalham com mulheres, cultura popular e religiões. Uma pequena parcela será disponibilizada para venda.

Um ritual marcado com fé

A Festa do Divino é uma manifestação popular, onde se une a espiritualidade e o folclore para agradecer ao Espírito Santo os dons e as graças recebidas durante o ano anterior. A Festa, realizada depois de Pentecostes, 50 dias após a Páscoa, é feita com donativos e seu espírito é de promover um dia de muita fartura, de abundância, quando quem nada tem recebe de graça. No Maranhão, segundo dados da Secretaria de Cultura local, mais de 150 festas, realizadas em 23 municípios, estão cadastradas, atraindo milhares de pessoas de todo o país.

A mais importante particularidade do culto realizado no Estado, aquela que distingue-o de todos os outros, é que ele é conduzido por mulheres tocando tambores e cantando. São as caixeiras do Divino, as Suas Sacerdotisas. Elas são a única experiência conhecida, uma raridade, se considerar a presença de mulheres na condução de rituais religiosos, tocando tambores.

Não Toque o Malang - Touchez pas au Malang

(2002, 57 min) Um vídeo de excelente qualidade que evoca o Paquistão por um ângulo do cotidiano: o funcionamento de um ateliê de pintura em Rawalpindi – Paquistão. Especializados na pintura decorativa de caminhões Bedford, desde a época colonial, com humor e fantasia particular. Jean Arlaud, da Universidade Denis Diderot de Paris, foi discípulo de Jean Rouch, considerado como um dos "pais" dos filmes etnográficos.

Direção: Jean Arlaud e Annie Mercier

Biopiratas - A Carta de São Luis

(2002, 52 min) Em dezembro de 2000, em São Luís do Maranhão, 23 pajés de várias nações indígenas brasileiras questionaram de frente, através da tocante “Carta de São Luís”, todo patenteamento de formas de vida e conhecimentos tradicionais associados. Entre cidades e florestas, os índios procuram as ferramentas para defender as investidas da indústria farmacêutica multinacional a biodiversidade e uma sabedoria milenar. Direção: Manuele Franceschini

Os Arturos: filhos do Rosário

(1997, 16 min) Os Arturos constituem um agrupamento familiar de negros que habitam uma propriedade particular em terras no município de Contagem, no local denominado Domingos Pereira. Caracterizam-se basicamente pela manutenção da cultura negra, recebida dos ancestrais e conservada na experiência do sagrado: são as festas religiosas que fazem do grupo um universo à parte, quando os Arturos se transmutam em filhos do Rosário. A origem da comunidade é o negro Arthur Camilo Silvério e sua esposa, Carmelinda Maria da Silva - elos primeiros da grande família. É através de Arthur (pai) que se formam os Arturos (descendentes) e a marca do nome atesta a força da ancestralidade: filhos, netos e bisnetos de Arthur são hoje ARTUROS, família mantida e alimentada pela raiz inicial. Remonta há cerca de um século a memória da comunidade negra dos ARTUROS no território de Contagem. A importância desse grupo étnico, no contexto cultural, extrapolou nossas fronteiras ganhando reconhecimento internacional.

Direção: Projeto Vídeo Registro

O Divino de Alcântara

(1996, 50 min) Festa do Divino chegou no Brasil no século XVII, trazida pelos colonizadores; segundo a tradição, a Festa celebra a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos (Pentecostes). Durante doze dias do mês de maio, em Alcântara (MA), cria-se um império simbólico que ocupa as casas e ruas da cidade, seguindo em cortejo por entre ruínas de antigos casarões ao som de bandas de música e de tambores, as chamadas caixas. Este vídeo é um documentário completo da Festa do Divino realizada em 1996.

Direção: Murilo Santos

São Luiz do Paraitinga

(2003, 15 min) O Divino em São Luiz do Paraitinga é festejado desde, pelo menos, começo do século XIX. É a festa mais tradicional e importante da cidade, nas palavras de seus próprios moradores. Durante os dias de festa do Divino a cidade pára, o centro histórico fica interditado para automóveis, e pessoas de todas as cidades da região vêm até São Luís para rezar, pedir bênçãos, pagar promessas e acompanhar a procissão do Divino. Grupos de danças como Congadas e Moçambiques de Taubaté, Lorena, São José dos Campos, Aparecida do Norte e Natividade da Serra marcam presença na festa com seus grupos folclóricos, suas bandeiras, tambores e embaixadas enfeitadas com as cores de suas devoções. Os festejos nas ruas (todas as referências acima) duram todos os dez dias da Festa do Divino, mas são especialmente marcantes nos dois últimos, Sábado e Domingo.

Direção: Alunos de Artes Cênicas - IA - UNICAMP

Oi Lá no Céu!

(2005, 26 min) As congadas podem ser entendidas como bailados guerreiros, documentativos de lutas. A construção civil é uma das principais atividades de sobrevivência dos componentes das congadas. Na construção civil temos o encontro da água, da terra, da madeira e do ferro, elementos que se transformam pelas mãos dos trabalhadores-guerreiros no cotidiano. Quem é este guerreiro que dança, canta e luta majestosamente nos dias de festa? Por que se trajam com fardas, fazendo-se lembrar oficiais? Por que acordam, com seus tambores de madrugada, os que dormem sob o teto que eles construíram? As respostas estão no discurso de todos os ritos, os do dia-a-dia, os da Festa, momento máximo de celebração e constatação de sua existência perante a sociedade abastada. A quem se celebra o milagre da vida e se clama por justiça? Santos? Divindades? É São Jorge? É Nossa Senhora? É São Benedito? Sob o espesso manto da conversão ibérica ainda reinam as divindades africanas, as que emergem das profundezas da terra, e os que pousam vindos do céu nas asas de cuitélinhos, canarinhos, periquitos, sanhacinhos, pombas brancas... Algo consciente ou não? Nem importa! Afinal, quem pode ser o Capitão, o General ou Rei?

Direção: Rubens Xavier e Élisie Monteiro da Costa

Janela para os Pirineus

(1996, 16 min) Um documentário poético sobre o imaginário goiano, com base nos folguedos populares e festas religiosas. O filme ultrapassa os limites do registro meramente folclórico para fornecer o panorama amplo da cultura regional. Inspirado no livro de poemas "Os Pirineus e Outros Eus", de José Carlos Peliano e Roberto Castelo, a obra foi integralmente rodada no município de Pirenópolis, em Goiás, importante sítio arqueológico do ciclo do ouro e uma das regiões geológicas mais antigas do planeta.

Direção: Armando Lacerda

Festa do Divino Espírito Santo

(Indeterminado, 30 min) São João del Rei resgatou, nos anos 90, uma das suas mais tradicionais festas religiosas de toda a sua história: a Festa do Divino Espírito Santo. Iniciada no séc. XVIII e interrompida há mais de 70 anos, ela volta trazendo a unificação da Festa do Divino com a Festa do Rosário, misturando as tradicionais Folias do Divino com os Congados. A festa também conta com várias bandas de música, orquestra, dança das fitas, Pastorinhas, Cavalgadas, espetáculos pirotécnicos, Novenas, missas e procissões.

Produção: STUDIO JPV

O Auto do Bumba-Meu-Boi da Fé-em-Deus (sotaque de zabumba)

(1998, 30 min) Os brancos trouxeram o enredo da festa; os negros, escravos, acrescentaram o ritmo e os tambores; os índios, antigos habitantes, emprestaram suas danças. E a cada fogueira acesa para São João, os festejos juninos maranhenses foram-se transformando no tempo quente da emoção, da promessa e da diversão. É nesta época de junho, que reina majestoso o Bumba-meu-boi. O auto popular do Bumba-meu-boi conta a estória da Catirina, uma escrava que leva seu homem, o nego Chico, a matar o boi mais bonito da fazenda para satisfazer-lhe o desejo de grávida: comer língua de boi. Descoberto o malfeito, manda o Amo (que encarna o fazendeiro, o latifundiário, o "coronel" autoridade) que os índios capturem o criminoso, que, trazido à sua presença, representa a cena mais hilariante da comédia (e também a mais crítica no sentido social). Para ressuscitar o boi, chama-se o doutor, cujos diagnósticos e receitas estapafúrdias ironizam a medicina. Finalmente, ressurgido o boi e perdoado o negro, a pantomima termina numa grande festa cheia de alegria e animação, em que se confundem personagens e assistentes.

Direção: Murilo Santos

Patativa do AssaréA Ordem dos Penitentes

Borracha para Panela de Pressão

(1993, 9 min) Documentário sobre a vida dos camelôs do centro de Fortaleza, que tentam oferecer ao público, por preços competitivos, produtos industrializados que alimentam a classe média brasileira (cearense). O efeito geral do vídeo nos faz pensar em alguma homenagem honesta ao trabalho numa grande cidade, mas com o tempero cru da realidade do trabalhador brasileiro (nordestino).

Direção: Tibico Brasil & Glauber Filho

Tambores de Corpos

(2002, 14 min) A Religião afro-brasileira mostrada e defendida por pais-de-santo de Fortaleza.

Direção: Janaína Marques

Patativa do Assaré: Um Poeta do Povo

(1984, 17 min) Aspectos da vida e da vida obra do poeta Patativa do Assaré, sua popularidade, o relacionamento com o povo, a participação no Festival de Verão de Guarujá – São Paulo. Uma visão de mundo a partir da obra poética popular de forte conteúdo social do mais importante poeta popular do Brasil. Documentário.

Direção: Jefferson Albuquerque Jr. e Rosemberg Cariri

A Ordem dos Penitentes

(2002, 17 min) Aspectos da religiosidade popular herdados da Idade Média européia, extraídos da narrativa do mestre decurião Joaquim Mulato, com 81 anos de idade. Os rituais de penitência apareceram nos primeiros séculos da era cristã para domar os desejos da carne e as fantasias do espírito. No Cariri cearense, as ordens de penitentes surgiram por volta de 1860, época de fome e peste, incentivadas pelo Padre Mestre Ibiapina. As autoflagelações nos cemitérios serviam para aplacar a ira divina e aliviar as misérias do povo.

Direção: Petrus Cariry

3º Encontro com o Folclore / Cultura Popular

(1995, 35 min) Edição da terceira da festa do 3º Encontro com o Folclore / Cultura Popular.

Direção: CECO - Unicamp

Divino Espírito Popular

(2006, 74 min) A cultura popular de uma região mostrada através da festa do Divino Espírito Santo de Mogi das Cruzes - uma tradição secular que sofre a influência marcante de manifestações afro-brasileiras como os grupos de Congada, Moçambique e Marujada, e pode ser considerada uma das mais antigas festas tradicionais do Brasil, com mais de 300 anos. Os protagonistas dessa festa: devotos, músicos, rezadeiras, brincantes, bandeireiros, foliões, são eles próprios os narradores desse documentário, que conta também com depoimentos de personalidades ligadas a cultura popular como Antonio Nóbrega, Inezita Barroso, Ivan Lins, entre outros. Além disso, esse filme recupera uma figura muito popular que se tornou símbolo dessa festa a "Nhá Zefa" revivida pela atriz Clarice Jorge, constituindo a parte ficcional desse documentário, sendo assim o "fio condutor" da narrativa.

Direção: Pedro Abib