ANÁLISE ECOSSISTÊMICA E ENERGÉTICA DO BRASIL.

 

Esta página tem como finalidade comunicar os resultados da pesquisa "Brasil e o Desenvolvimento Sustentável" promovida
pelo Edital 01/08 da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (EcoEco) e o Instituto de Economia Aplicada (IPEA).

 

Trabalhos de pesquisa realizados

A. Preparação dos materiais básicos:

01. Discutir o conceito de Desenvolvimento Sustentável  

02. Elaborar o modelo ecológico-econômico do Brasil para avaliar sua sustentabilidade  

03. Obter as series históricas de dados sobre os fluxos de energia, materiais, dinheiro e informação  


Trabalhos de pesquisa pendentes

B. Cálculo de indicadores:

04. Calcular os estoques e os fluxos de emergia do sistema

05. Obter os indicadores de desempenho no periodo 1970-2009

06. Calcular a Pegada Ecológica com base nos fluxos de energia potencia

C. Modelagem e simulação de cenários:

07. Fazer a modelagem do sistema Brasil e simular diversos cenários para prever seu comportamento

D. Conclusões e sugestões:

08. Discutir os resultados obtidos

 

1. Discussão do conceito de Desenvolvimento Sustentável.

A Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, mais conhecida com os nomes de Rio-92 ou Cúpula da Terra, foi realizada no Rio de Janeiro de 3 a 14 de junho de 1992. Seu objetivo principal foi buscar os meios de conciliar o desenvolvimento sócio-econômico com a conservação e proteção dos ecossistemas da Terra. O encontro consagrou o conceito de Desenvolvimento Sustentável e ampliou a consciência mundial de que os danos ao meio ambiente eram de responsabilidade dos países desenvolvidos e das empresas multinacionais.

 

A sociedade global desejava, na época, a implantação de um novo modelo de desenvolvimento em todos os países do mundo que tivesse como base o uso de recursos renováveis e o cuidado com o meio ambiente, visando o bem estar das populações atuais e das futuras gerações. Nas negociações diplomáticas que ocorreram durante o evento e também posteriormente perdeu-se o impulso de inovação e renovação que levou a realização do encontro. Prevaleceram os interesses comerciais e políticos dos países centrais e das multinacionais que eles sediam.

 

Essas instituições se opuseram, de diversas formas, as mudanças desejadas pela sociedade e essa atitude egoísta impediu que o mundo pudesse tomar as providências necessárias para evitar situações mais graves, como as que vemos hoje acontecer: redução da vegetação nativa, extinção de espécies, perda de funções ecossistêmicas que regulam os ciclos biogeoquímicos, uso intenso de combustíveis fósseis que geram gases de efeito estufa, contaminação do ar, do solo, dos aqüíferos e dos rios, até alcançar e ultrapassar vários dos limites de resiliência da Biosfera, criando uma situação de grande perigo.

 

O Desenvolvimento Sustentável ocorre quando existe um acoplamento entre a capacidade de produção de biomassa e serviços ambientais e a demanda desses recursos por parte da fauna silvestre e o consumo humano. O eco-desenvolvimento pode ser simulado com o mini-modelo mostrado na figura seguinte. O uso de recursos renováveis (JR) permite um crescimento da população (Q) até um certo limite, denominado capacidade de suporte renovável, que corresponde ao aproveitamento do fluxo de recursos renováveis da região, sem destruir o capital natural.

Existe também um Desenvolvimento Não Sustentável que se baseia no uso de recursos não renováveis (N) os quais aumentam (enquanto estiverem disponíveis) a capacidade de produção, o transporte, o consumo humano e o volume dos resíduos. Ao mesmo tempo, produz grande desequilibrio ecológico e social, contaminação e transferência de riqueza e sustentabilidade dos países pobres aos mais ricos. Como os recursos não renováveis se esgotam o surto de crescimento termina e o sistema precisa se re-organizar para recuperar o ecossistema e re-aprender a viver com recursos renováveis.

Existem grupos humanos que defendem uma opção ou outra e, obviamente, há um conflito de interesses que até agora se resolveu em favor daqueles que defendem o uso ilimitado dos recursos da natureza, aumentando o crescimento econômico desigual, a depredação do meio ambiente e a diminuição da sustentabilidade. Este conflito, se levado ao extremo, pode destruir a base produtiva da cadeia trófica global, provocando a extinção de muitas espécies, a morte de grupos humanos e causar, finalmente, o colapso total do sistema.

A novidade é que cada vez com maior clareza os cientistas e a população percebem que a economia convencional causa um impacto destrutivo sobre a natureza e que esse impacto retorna com força para a mesma sociedade que a maltrata e que a perda de resiliência coloca em risco a vida de bilhões de pessoas.

 

Coloca-se então a necessidade preemente de usar novas ferramentas científicas para conhecer como funciona o sistema ecológico-econômico e analisar e medir a sustentabilidade da forma atual de produzir e consumir para comparar essa forma com modelos reais e virtuais de alta sustentabilidade. O método de trabalho para avaliar a sustentabilidade será a análise ecossistêmica-energética do sistema de produção e consumo do país, complementada por informações econômicas.

Acredita-se que o compartilhamento de informação fidedigna sobre o funcionamento da biosfera, dos ecossistemas e dos sistemas econômicos sob novos modelos de convívio pode levar as populações, as empresas e os governos a se posicionar para mudar o sistema global: seria a desejada e urgente colaboração para conseguir a transição ao Desenvolvimento Sustentável!

 

2. Modelo ecológico-econômico do Brasil para fins de contabilizar sua sustentabilidade


DIAGRAMA DO METABOLISMO DE ENERGIA E MATERIAIS DO BRASIL
Metabolismo interno e vínculos com o sistema externo:

 

Explicação do diagrama do metabolismo de energia, materiais e informação do Brasil.

[a] Metodologia ecossistêmica-energética

[b] Modelo de manejo sustentável de florestas e serviços ambientais

[c] Modelo de produção agropecuária com uso crescente de recursos não renováveis

[d] Modelo de recursos hídricos e hidroeletricidade

[e] Modelo de extração de minérios

[f] Modelo de indústria, comércio e serviços

[g] Modelo de importações e exportações

[h] Modelo geral

 

3. Séries históricas de dados sobre os fluxos de energia, materiais, dinheiro e informação


 

Series de dados disponíveis

01

Minerais

02

Agropecuária

03

Comércio

04

Contas

05

Indústria

06

População

07

Preços

08

Trabalho

 

Bibliografia básica sobre Sistemas Ecológico-Econômicos.

Livros do Professor Howard T. Odum utilizados na preparação deste trabalho

( http://www.unicamp.br/fea/ortega/creta/HTObooks.htm )

[1] The Prosperous Way Down.

[2] Environment, Power and Society for the Twenty-First Century: The Hierarchy of Energy.

[3] Modelling for All Scales.

[4] Environmental Accounting: Emergy for environmental decision making.

[5] Systems Ecology: an introduction.

 

Materiais didáticos de H. T. Odum e colaboradores traduzidos ao português e disponíveis na Internet:

[1] Curso de Ecologia e Sociedade

[2] Curso de modelagem de ecossistemas naturais e antrópicos

 

Página web do projeto EcoEco/IPEA Brasil e o Desenvolvimento Sustentável

Enrique Ortega, Mileine Furlanetti de Lima Zanghetin, Larissa Borelli

Laboratório de Engenharia Ecológica e Informática Aplicada – LEIA

Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp

Colaboração especial: Dr. Miguel Bacic, Instituto de Economia da Unicamp

Campinas, SP, Brasil. 10 de janeiro de 2010.