XI Encontro de História da Arte
Da percepção à palavra: luz e cor na História da Arte

 

de 19 a 23 de outubro de 2015

 

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sobre o encontro

      A luz e a cor encontram-se profundamente ligadas por definição. Do ponto de vista físico, a cor é justamente o fenômeno que resulta da interação entre a luz, os materiais que compõem os objetos e o olho do observador. Também depende deste olho a maneira como a luz pode ser percebida, o que quer dizer que o sujeito e todas as questões inerentes a ele são parte constitutiva tanto da cor quanto da percepção da luz. Não é de hoje que se investiga que a maneira como percebemos a cor passa pelo filtro da cultura. Ainda, muitos estudos do século XX apontam que a percepção de milhões de tonalidades é expressa através dos limitados fonemas disponíveis em cada língua, de maneira que a cor se constitui também em problema linguístico. Pensar na percepção da cor e da luz como problema linguistico nos conduz a uma reflexão cara a quem se interessa pelo campo da História da Arte, que se caracteriza por estar sempre às voltas com os limites e contribuições possíveis da linguagem verbal que tenta dar conta da experiência visual. O tempo, fixação perene do historiador, também tem suas contribuições a dar. A passagem do tempo transforma as cores: há mudanças na pigmentação dos materiais, há depósitos de partículas, há a fundamental mudança do olho que observa. O significado da luz e de seus caminhos numa obra de arte é igualmente mutável e revelador. Metáfora do bem, do divino, da fé, da razão, da verdade, entre tantos outros significados, a representação da luz integra, em conjunto com a sombra, um dos mais importantes procedimentos de criação de ilusão de tridimensionalidade da história da mimesis.

 

      Do elegante branco associado à estatuária antiga à ressignificação da paisagem urbana promovida pelo videomapping, este tema de grande valor para a História da Arte possui elementos que animam de forma peculiar os objetos artísticos através dos séculos. Luz e cor nortearam a invenção e a produção dos vitrais góticos, foram objeto de teorias dos maiores nomes do pensamento artístico renascentista e polêmica entre classicistas e caravaggescos no barroco. No século XIX do gesto do artista (Turner ou mesmo van Gogh) a cor e a luz se unem sobremaneira; o espaço vacante se converte em iluminação em obras de Nazarenos ou Puristas, e em questão com rigor científico para o círculo de Seurat. Albers, no século XX, traria imensas contribuições ao estudo e à produção artística que se baseia na luz e na cor. Também para as áreas de patrimônio e restauro de todos os períodos são centrais as indagações acerca do problema da coloração e da iluminação, bem como para a arquitetura.

 

      Ponderar brevemente sobre os elementos apontados (tempo, cultura, expressão verbal da percepção visual, significados simbólicos, técnicas artísticas) nos leva a navegar numa profusão de perguntas. A maneira como enxergamos a luz numa obra de arte, por exemplo, é profundamente marcada pelo local em que essa obra se encontra. A luz espantosa de uma pintura de Caravaggio que se apresenta aos nossos olhos banhada por lâmpadas elétricas é a mesma que a vista no Seicentos iluminada por velas? Um afresco originalmente imerso na delicada luz natural filtrada por pequenas janelas românicas é a mesma obra que hoje vemos sob contemporâneas lâmpadas dicróicas num museu? Através de sua materialidade que atravessa os anos, a obra de arte que vemos hoje consegue nos apresentar algo da cor vista pelo publico que nela colocou os olhos pelas primeiras vezes? Conseguimos, através da obra, captar algo da percepção visual do artista, que a concebeu, escolheu os pigmentos, desenhou o percurso da luz? Pensar na luz faz com que se desvele diante de nós uma questão axial do campo da história da arte: em que medida podemos enxergar o passado? Ainda, como fica nossa percepção na era das obras de arte facilmente acessáveis através de suas reproduções, virtuais ou não?

 

      Ter ao alcance de um toque reproduções de Giottos, Vermeers e Monets numa pequena tela com iluminação própria adiciona novos significados à experiência estética? E as diversas impressões, em diversos suportes, objetos, materiais? Em que medida estas reproduções são novas versões das obras, em suas modificações cromáticas e luminosas? A partir destes apontamentos e em consonância com o Ano internacional da Luz, promovido pela ONU, O XI EHA da Unicamp se abre como espaço para reflexões nos mais variados campos das artes visuais e também do teatro, da música, do cinema, da dança e de áreas paras as quais as questões relativas à iluminação e ao colorido se fazem presentes.

 

     O convite à participação no XI EHA, que é animado por essas questões, contempla de modo mais abrangente pesquisas realizadas em qualquer domínio da história da arte, independentemente do tema. Convocamos todos os pesquisadores a submeter seus trabalhos para participar de nosso encontro.

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