XII Encontro de História da Arte
Os silêncios na História da Arte

 

de 04 a 07 de dezembro de 2017

 

 

sobre o encontro

           O Silêncio e a Arte parecem de início, opostos. A natureza não verbal e anulada do primeiro é, imediatamente, contrária ao sentido expressivo e eloquente, corriqueiramente, atribuídos aos objetos artísticos. Mas ambos guardam proximidades ontológicas, sobretudo quando tomamos a prática do Historiador da Arte, sempre silente e intimista com os objetos que, em si, necessitam de sua mediação para emitir seus ruídos. A maneira mais evidente dessa proximidade é o Silêncio como forma, na verdade, ele aparece representado ou evocado reiteradamente ao logo da história das imagens, seja materializado como um deus, Harpócrates, ou nas figuras inertes de Piero Della Francesca, louvado na poesia do belga Georges Rodenbach; está, também, nos vazios incomunicáveis da pintura de Hopper, na dimensão mística das cores em Rothko ou mesmo na cadência das tomadas dos filmes de Michelangelo Antonioni.

 

           O Silêncio também assume a forma de omissão. A omissão de determinados temas, culturas, movimentos, artistas ou períodos da História da Arte. Ele pode calar gêneros, raças, tipos físicos e sociais por tiranias de gosto, por preconceitos ou mesmo por modas passageiras. Mas ele também pode se salutar, pois é necessária sua presença na relação/apreensão das obras; como uma experiência sensível, não é menos presente na recepção das obras e afeta seus modos de exposição, basta nos atermos aos recursos sonoros, audiovisuais e discursivos das “megaexposições”, ora eles orientam as digressões diante das obras, ora interferem ruidosamente no processo de conexão sensível com o objeto exposto. O silêncio, muitas vezes, está inerente ao processo criativo dos artistas – Como eles são capazes de tornar visível o silêncio? - Longe de ser uma mera ausência de som, o silêncio chama provavelmente também ouvir, expressar, representar.

           

           Dessa maneira é possivel abordar, a título de indicação, mas não de exclusividade, os seguintes pontos:

- O silêncio e os discursos nos tratados (retóricos, de arte, filosóficos, etc);

- O silêncio e as palavras nos escritos religiosos (sermões, exegese bíblica, manuais de devoção), há, também, sua relação com as práticas espirituais;

- O silêncio e os sujeitos da história (mulheres, negro, grupos sociais e etc).

- Expressão e função do silêncio na literatura: processos estílisticos, figuras de linguagem (elipses, aposiopeses, onomatopeias), o silêncio como jogo literário;

- Expressão e representação do silêncio nas artes: pintura, escultura, música, cinema, quadrinhos, desenho, fotografia, etc;

- Repressão institucional das palavras e seus efeitos: censura, autocensura, palavras difundidas clandestinamente, resistência;

- Silêncios na historiografia, na representação política e social.

 

O convite à participação no XII EHA, que é instigado por esses temas, também busca contemplar de modo mais abrangente pesquisas realizadas em qualquer domínio da história da arte, história do cinema, da cultura e do patrimônio. Convocamos todos os pesquisadores a submeter seus trabalhos para participar de nosso encontro.

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